Carta ao leitor

Março 9, 2008

Cá estou em mais uma de madrugada disfarçada de assistir um filme. Neste caso, um estranhíssimo* com a Naomi Watts, cujo nome ainda não consegui identificar. Faz calor demais pra dormir como as pessoas normais… mas então eu lembro que eu realmente não deveria estar dormindo agora. Deveria estar por aí com aqueles que eu gosto, desfilando nosso glamour decadente de mocinhas e mocinhos charmosos com suas cervejas em punho, talvez em copos de plástico.

Ocorre que passei os últimos meses enchendo a minha bolha de um relacionamento vicioso e de uma mania de “tenho que assumir todas as responsabilidades trabalhistas do universo”, e agora não consigo mais sair dela.

O horror.

Morreu o relacionamento, jaz em algum lugar do começo do ano mas, na prática, ainda é tudo muito estranho. Quando juntos, usamos as nossas melhores caras de paisagem como se ninguém tivesse feito todas as coisas absurdas que fizemos em nome de alguns momentos juntos ou discutido aos berros (meus) como dois loucos ou chorado (os dois) litros por perceber que a gente nunca tentou de verdade fazer a coisa dar certo.**

No que diz respeito à mania de abraçar o mundo no trabalho, estou em processo de desintoxicação. A viagem de uma semana da chefe não ajudou muito, meti na cabeça que a responsabilidade de qualquer coisa seria minha e assim aconteceu: não dividi os problemas com os demais colegas e ninguém mais, naquela sala, passou a tarde se entupindo de Neosaldina gotas além de mim. Na segunda, espero recomeçar a reabilitação.

Veja só, querido leitor: eu sou uma guria esquisitinha à pouco mais de um mês de completar vinte e sete anos, e enquanto tenho a obrigação moral de estar por aí fazendo esquisitices numa noite de sábado com os meus semelhantes, estou em casa como uma balzaca chata trabalhadeira e reclamona compulsiva. Isso é ou não é um absurdo?

 

* “estranhíssimo” também é uma palavra estranhíssima, né não?

** por menos claro que o texto te pareça, reparou que há milhares de anos eu não falava tão claramente da minha vida sentimental?

8 Respostas para “Carta ao leitor”

  1. raquel Diz:

    eu me identifiquei.

    quando ainda tava no brasil, tinha esses momentos, de ficar em casa, vendo alguma reprise na hbo ou um supercine maldito… minha mãe costumava sentar junto no sofá mas acabava capotando antes da primeira meia hora.

    tipos que minha mãe é minha mãe, tem seus 55 anos e eu, uma “garotinha” de 26 deveria estar sassaricando por ae… mas não… acho que é uma questão de escolha… e é bom! um beijo!


  2. eu sei que parece idiota e clichê, mas… é uma fase. fases passam, e essa vai passar também. tente se divertir e curtir o momento, qualquer que seja ele.

    beijo e boa sorte :)

  3. carla Diz:

    eu nunca tinha ouvido falar dela, da tua vida sentimental. tinha ouvido falar três ou quatro vezes que ela existia e estava um caos. mas nunca tinha ouvido que ela gritava e chorava.

    =)
    veja eu, domingo de noite na agência enquanto deveria. e assim também foi a sexta e o sábado. não na agência, mas em casa tentando entender porque diabos preferi estar em casa. ainda não sei.

  4. carla Diz:

    *enquanto deveria estar assistindo pucca com a minha sobrinha.

  5. dani Diz:

    e a vida noturna joivilense?

  6. Lya Diz:

    hmm
    ‘balzaca chata’ acho mais estranho :P

  7. camila Diz:

    diz que o cine de sm vai reabrir. e diz que agora é sério.

  8. Bru Diz:

    Como disse Charles Chaplin:

    “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”

    Como não sou frequentadora do seu blog (porém achei muito bacana e irei retornar :) é a única coisa que posso acrescentar.

    E um adendo: que lindos os gatos do post anterior, gamei! Gatos são anjos, mesmo. Tenho 3 em casa :)

    Beijos


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